Evangelho no Lar

Wednesday, October 20, 2004

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 1, 3-4

O Cristo
3. Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veio cumpri-la, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. Por isso é que se nos depara, nessa lei, o principio dos deveres para com Deus e para com o próximo, base da sua doutrina. Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas, ele, ao contrário, as modificou profundamente, quer na substancia, quer na forma. Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta única prescrição: "Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo", e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas.
Por estas palavras: "O céu e a Terra não passarão sem que tudo esteja cumprido até o último iota", quis dizer Jesus ser necessário que a lei de Deus tivesse cumprimento integral, isto é, fosse praticada na Terra inteira, em toda a sua pureza, com todas as suas ampliações e conseqüências. Efetivamente, de que serviria haver sido promulgada aquela lei, se ela devesse constituir privilégio de alguns homens, ou, sequer, de um único povo? Sendo filhos de Deus todos os homens, todos, sem distinção nenhuma, são objeto da mesma solicitude.
4. Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina. Ele viera ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; viera ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz, os meios de eles se reconciliarem com Deus e de pressentirem esses meios na marcha das coisas por vir, para a realização dos destinos humanos. Entretanto, não disse tudo, limitando-se, respeito a muitos pontos, a lançar o gérmen de verdades que, segundo ele próprio o declarou, ainda não podiam ser compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos implícitos. Para ser apreendido o sentido oculto de algumas palavras suas, mister se fazia que novas idéias e novos conhecimentos lhes trouxessem a chave indispensável, idéias que, porém, não podiam surgir antes que o espírito humano houvesse alcançado um certo grau de madureza. A Ciência tinha de contribuir poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento de tais idéias. Importava, pois, dar à Ciência tempo para progredir.

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 1, 1-2

1. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: - porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto. (S. MATEUS, cap. V, vv. 17 e 18.)
Moisés
2. Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo.
A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
I. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. - Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano. (¹)
II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.
III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado.
IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.
V. Não mateis.
VI. Não cometais adultério.
VII. Não roubeis.
VIII. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.
IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo.
X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.
(1) Allan Kardec cita a parte mais importante do primeiro mandamento, e deixa de transcrever as seguintes frases: "... porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Deus zeloso, que puno a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta gerações daqueles que me aborrecem, e uso de misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos." - (ÊXODO, XX, 5 e 6.)
Nas traduções feitas pelas Igrejas católica e protestantes, essa parte do mandamento foi truncada para harmonizá-la com a doutrina da encarnação única da alma. Onde está "na terceira e na quarta gerações", conforme a tradução Brasileira da Bíblia, a Vulgata Latina (in tertiam et quartam generationem), a tradução de Zamenhof (en la tria kaj kvara generacioj), mudaram o texto para "até à terceira e quarta gerações".
Esses textos truncados que aparecem na tradução da Igreja Anglicana, na Católica de Figueiredo, na Protestante de Almeida e outras, tornam monstruosa a justiça divina, pois que filhos, netos, bisnetos, tetranetos inocentes teriam de ser castigados pelo pecado dos pais, avós, bisavós, tetravós. Foi uma infeliz tentativa de acomodação da Lei à vida única. - A Editora da FEB, 1947.
O texto certo que, por mercê de Deus, já está reproduzido pelas edições recentíssimas a que nos referimos - traduções Brasileira e de Zamenhof -, que conferem com S. Jerônimo, mostra que a Lei ensina veladamente a reencarnação e as expiações e provas. Na primeira e na segunda gerações, como contemporâneos de seus filhos e netos, o Espírito culpado ainda não reencarnou, mas, um pouco mais tarde - na terceira e quarta gerações - já ele voltou e recebe as consequências de suas faltas. Assim, o culpado mesmo, e não outrem, paga sua dívida.
Logo, têm-se de excluir a primeira 1ª e 2ª gerações e expressar "na" 3ª e 4ª, como realmente é o original. Achamos conveniente acrescentar aqui esta nota, para facilitar a compreensão do estudioso que confronte a sua tradução da Bíblia com a citação do Mestre. - A Editora da FEB, 1947.
É de todos os tempos e de todos os países essa lei e tem, por isso mesmo, caráter divino. Todas as outras são leis que Moisés decretou, obrigado que se via a conter, pelo temor, um povo de seu natural turbulento e indisciplinado, no qual tinha ele de combater arraigados abusos e preconceitos, adquiridos durante a escravidão do Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem precisava apoiar-se na autoridade de Deus; mas, só a idéia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, em as quais ainda pouco desenvolvidos se encontravam o senso moral e o sentimento de uma justiça reta. E evidente que aquele que incluíra, entre os seus mandamentos, este: "Não matareis; não causareis dano ao vosso próximo", não poderia contradizer-se, fazendo da exterminação um dever. As leis moisaicas, propriamente ditas, revestiam, pois, um caráter essencialmente transitório.

Evangelho no Lar

Evangelho no Lar
"Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu com elas estarei". JESUS (Mateus 18:20)
O que é o "Evangelho no Lar"
Trata-se do estudo do Evangelho de Jesus em reunião familiar.
O "Evangelho no Lar", realizado no ambiente doméstico, é precioso empreendimento que traz diversos benefícios às pessoas que o praticam.
Permite ampla compreensão dos ensinamentos de Jesus e a prática destes, nos ambientes em que vivemos. Ampliando-se o conhecimento sobre o Evangelho, pode-se oferecê-lo com mais segurança a outras criaturas, colaborando-se para a implantação do Reino de Deus na Terra.
As pessoas, unidas por laços consanguíneos, compreenderão a necessidade da vivência harmoniosa e, dentro de suas possibilidades, buscarão, pouco a pouco, superar possíveis barreiras, desentendimentos e desajustes, que possam existir entre pais e filhos, cônjuges e irmãos.
Através do estudo da reencarnação, compreenderão que, aqueles com quem dividem o teto, são espíritos irmãos, cujas tarefas individuais, muitas vezes, dependerão da convivência sadia no ambiente em que vieram a renascer.
Aqueles que, desde cedo, têm suas vidas orientadas pela conduta Cristã, evitam, com mais facilidade, que os embriões dos defeitos que estão latentes em seus espíritos apareçam, sanando, desta forma, o mal antes que ele cresça.
Se, porventura, tendências negativas aflorarem, apesar da orientação desde a infância, encontrarão seguros elementos morais para superá-las, porque os ensinamentos de Jesus tornam-se fortes alicerces para a sua superação.
Com o estudo do Evangelho de Jesus aprende-se a compreender e a conviver na família humana.
Assim, conscientes de que são espíritos devedores perante as Leis Universais, procuram conduzir-se dentro de atitudes exemplares, amando e perdoando, suportando e compreendendo os revezes da vida.
Quando o "Evangelho no Lar" é praticado fielmente à data e ao horário semanal estabelecidos, atrai-se para o convívio doméstico Espíritos Superiores, que orientam e amparam, estimulam e protegem a todos.
A presença de Espíritos iluminados no Lar afasta aqueles de índole inferior, que desejam a desunião e a discórdia. O ambiente torna-se posto avançado da Luz, onde almas dedicadas ao Bem estarão sempre presentes, quer encarnadas, quer desencarnadas.
As pessoas habituadas à oração, ao estudo e à vivência cristã, tornam-se mais sensíveis e passíveis às inspirações dos Espíritos Mentores.
Faça conosco esta pequena reunião semanal. Faremos o estudo do Evangelho no lar, em sequência. Todos os domingos estaremos disponibilizando uma mensagem para o nosso estudo. Os comentários da lição do dia poderão ser feitos por todos, no mesmo dia ou nos demais dias da semana.

Sugestão
Sugere-se o Domingo às 21:00 horas, durante 15 a 30 minutos no máximo (quem não puder por qualquer motivo dispor deste horário ou dia, pode fazê-lo mais cedo ou mais tarde, ou em qualquer outro dia da semana). Também pode ser feito individualmente.
Procedimentos
Escolhe-se um dia da semana e hora em que seja possível a presença de todos os familiares ou da maior parte deles, observando-se com rigor a sua constância e pontualidade, para facilitar a assistência espiritual. A direção do "Evangelho no Lar" caberá a um dos cônjuges ou a pessoa que disponha de maiores conhecimentos doutrinários. Cabe lembrar, no entanto, que por se tratar de um estudo em grupo não é necessária a presença de pessoas com cultura doutrinária. Na pureza dos ideais e na sinceridade das intenções, todos aprenderão juntos, auxiliando-se mutuamente. É importante que os temas sejam discutidos com a participação de todos, na medida do possível, sem imposições, para evitar-se constrangimentos. Deve-se buscar um ambiente amistoso, de respeito, pois, viver e falar com Jesus é uma felicidade que não se deve desprezar. Antes do início da reunião, prepara-se o local, colocando-se em cima da mesa água pura, em uma garrafa, para ser beneficiada pelos Benfeitores Espirituais, em nome de Jesus.
1. LEITURA DE UMA MENSAGEM A leitura inicial de uma mensagem poderá, após, ser comentada ou não. Ela tem por objetivo propiciar um equilíbrio emocional, procurando harmonizá-lo com os ideais nobres da vida, a fim de facilitar melhor aproveitamento das lições. Poderemos lembrar obras com "Pão Nosso", "Fonte Viva", "Vinha de Luz", "Caminho, Verdade e Vida", "Palavras de Vida Eterna", "Ementário Espírita", "Glossário Espírita Cristão".
2. PRECE INICIAL "Dando curso ao salutar programa iniciado por Jesus, o de reunir-se com os discípulos para os elevados cometimentos da comunhão com Deus, mediante o exercício da conversação edificante e da prece renovadora, os espiritistas devem reunir-se com regularidade e frequência para reviver, na prece e na ação nobilitante, o culto da fraternidade, em que se sustentem quando as forças físicas e morais estejam em depe-recimento, para louvar e render graças ao Senhor por todas as suas concessões, para suplicar mercês e socorros para si mesmos quanto para o próximo, esteja este no círculo da afetividade doméstica e da consanguinidade, se encontre nas provações redentoras ou se alongue pelas trilhas da imensa família universal."
Após a leitura da mensagem, inicia-se o "Evangelho no Lar", com uma prece.
A oração deve ser proferida por um dos participantes, em tom de voz audível a todos os presentes e-de forma simples e espontânea, não devendo ser, portanto, decorada.
Os demais, acompanham-no, seguindo a rogativa, frase por frase, repetindo, mentalmente, em silêncio, cada expressão, a fim de imprimir o máximo ritmo e harmonia ao verbo, ao som e a ideia, numa só vibração.
Na prece pode pedir-se o amparo de Deus para o lar onde o Evangelho está sendo estudado, para os presentes, seus parentes e amigos; para os enfermos, do corpo e da alma; para a paz na Terra; para os trabalhadores do Bem e etc.
A prece, além de ligar o ser humano à espiritualidade, traduz respeito pelo momento de estudo a realizar-se.
(Aconselha-se a ler no final o artigo "QUAL E PORQUÊ O PODER DA PRECE")
3.ESTUDO DO EVANGELHO DE JESUS O estudo do Evangelho do Cristo, à luz da Doutrina Espírita - "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec - poderá ser estudado de duas formas:
a) estudo em sequência - o estudo metódico, em pequenas partes, permite o conhecimento gradual e ordenado dos ensinamentos que o livro encerra. Após o seu término, volta-se, novamente, ao capítulo inicial;
b) estudo ao acaso - consiste na abertura, ao acaso, de "O Evangelho segundo o Espiritismo", o que ensejará, também, lições oportunas, em qualquer ocasião.
Os comentários devem envolver o trecho lido, buscando-se alcançar a essência dos ensinamentos de Jesus, realçando-se a necessidade da sua aplicação na vida diária. Pode reservar-se, posteriormente, um momento de palavra livre, onde os participantes da reunião exponham situações da vida prática, para o melhor entendimento e fixação das lições.
4. PRECE DE AGRADECIMENTO Um dos presentes fará uma prece, agradecendo as bênçãos recebidas durante o "Evangelho no Lar", pela paz, pelas lições recebidas etc.
Observações
A duração do "Evangelho no Lar" deve ser de até 1/2 (meia) hora, mais ou menos.
No "Evangelho no Lar" deve ser evitada manifestações mediúnicas. A sua finalidade básica é o estudo do Evangelho de Jesus, para o aprendizado Cristão, a fim de que seus participantes melhor se conduzam na jornada terrena. Os casos de mediunidade indisciplinada devem ser encaminhados a uma sociedade espírita idónea.
Deve-se evitar comparações ou comentários que desmereçam pessoas ou religiões. No Evangelho busca-se a aquisição de valores maiores, tais como a benevolência e a caridade, a compreensão e a humildade, não cabendo, dessa forma, qualquer conversação menos edificante.
A realização do "Evangelho no Lar" não deve ser suspensa em virtude de visitas inesperadas. Deverá ser esclarecido o assunto com delicadeza e franqueza, convidando-se o visitante a participar nesta Reunião, caso lhe aprouver.
O "Evangelho no Lar" não deve ser prejudicado, também, em virtude de solicitações sem urgência, recados inoportunos, passeios, festividades de qualquer ordem. Soluções razoáveis, de imediato, ou iniciativas, apôs a reunião, deve ser o caminho para superar os pretensos impedimentos.
Somente no caso de situações incontornáveis, em que todos não possam estar presentes, é que se justifica a não realização do "Evangelho no Lar".
Evite-se ligar rádio ou televisão no dia da Reunião, próximo e depois da hora de sua realização, bem como a leitura de jornais ou obras sem caráter edificante, para que se mantenha um ambiente vibratório de paz e tranquilidade dentro do Lar, bem como saídas à rua, senão para inevitáveis e inadiáveis compromissos.
Presença de criança na Reunião As crianças devem, também, participar do "Evangelho no Lar". Nesses casos, os adultos descerão os comentários ao nível de entendimento delas.
Recomenda-se a leitura, como subsídio, dos capítulos 35 e 36 da obra "Os Mensageiros", do Espírito André Luiz, e "Evangelho em Casa", do Espírito Meimei, psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier e editadas pela Federação Espírita Brasileira.
Fonte: USEERJ/1994


QUAL E PORQUÊ O PODER DA PRECE
Ao criar os mundos (as muitas moradas a que se referiu Jesus), Deus criou também o Fluido Universal, que banha a todo o Universo e a todos os seres através da força magnética de que é feito, e que interliga a todos os mundos...
Quando uma pedra cai na água, sua superfície vibra em esferas concêntricas; assim também o Fluido Universal vibra movido por nossas preces e pelos nossos pensamentos, com a diferença de que, enquanto as vibrações da água são limitadas, as do fluido universal estendem-se ao infinito.
Por isto é que nosso pensamento, tão logo movido pela força de uma grande vontade, pode impulsionar e ajudar almas a distâncias incalculáveis, encarnadas ou não, estabelecendo uma corrente fluídica de uns para outros, pela qual os Espíritos elevados podem, por sua vez, influenciar-nos e responder das profundezas do espaço, às nossas invocações e necessidades.
Segundo Leon Denis, em seu livro "Depois da Morte", quando nossa prece alcança esse teor de fé, passamos a ter afinidade com um potencial tamanho, que chega a ser a expressão profunda da alma para com Deus, o colóquio solitário, refúgio dos aflitos. Diálogo íntimo daquele que sofre, com "Aquele" que alivia, onde a alma expõe suas angústias, suas culpas ou daqueles por quem pede implorando socorro, apoio ou perdão".
E é assim que seu poder se faz enorme, como um farol cujo clarão não dispensa a névoa. Nesta hora, do santuário da consciência uma voz secreta responde; a voz "Daquele" de quem provém a força para as lutas do mundo, o Bálsamo para nossos desalentos e a Luz para nossas dúvidas, fazendo germinar a esperança e a força interior que habita em cada um de nós.
A prece sincera tem ressonâncias no infinito, é linguagem que não precisa de formas recitadas, que muitas vezes os lábios balbuciam e o coração não acompanha.
Espontânea e inspirada na necessidade de um coração, muitas vezes se expressa no pensamento, na angustia de um lamento, num simples e fervoroso olhar erguido ao céu, ou no exame de uma consciência que se expõe a Deus. Contudo... "Não devemos esperar que a prece resolva nossos problemas, que afaste de nós as provas inerentes à existência, porque há a lei, que sendo imutável, não se dobra aos nossos caprichos, até porque, muitas vezes nem sabemos o que pedimos!"
E Denis nos afirma: "Se confiamos, como somos atendidos! Sensíveis aos sofrimentos humanos, pelos quais também passaram, os Espíritos Protetores nos trazem o conforto da proteção e a inspiração que nos mostra o melhor caminho, pois que o poder divino não é feito só de justiça, também é feito de bondade imensa e de caridade infinita".
"Quando pedimos com fervor e confiança, pela própria energia que passa a nos envolver, ficamos mais fortes contra a força e a tentação de nossos erros e, assim, desentupimos o canal por onde fluirá a ajuda que nossos protetores espirituais nos possam dar."
A prece pelos infelizes e pelos doentes tem poder porque é a caridade em sua forma mais pura. Por isso produz efeitos incríveis, e mesmo sendo contrária à lei do destino e a prova deva consumar-se, os fluidos benéficos que atrai acumulam-se e unem-se ao perispírito do beneficiado ajudando-o de alguma forma.
E mesmo que aqueles por quem pedimos estejam ausentes ou mesmo distantes, o poder da prece age sobre eles com um magnetismo que penetra os fluidos densos e obscuros que os possam envolver, amenizando as angústias e necessidades porque estiverem passando, porque a prece é a flecha que atravessa o espaço espargindo bênçãos. Nessa hora, Deus nos envia os Bons Espíritos, que os vêm ajudar, intuir e socorrer. E desse modo provações possíveis podem ser desviadas ou suavizadas.
Não nos esqueçamos, porem, que também é valida a prece que agradece, não só pelas graças alcançadas, mas quando a paz nos envolve e extasia ante um espetáculo da Natureza, como uma noite enluarada ou a beleza colorida de um amanhecer, quando, enfim, nos emocionamos ante as obras magníficas do Criador.
Doracy Mércia Azevedo Mota
Bibliografia: Depois da Morte - "Léon Denis" Frases aspeadas: Mensagens e Pensamentos - Doracy Mércia Azevedo Mota